Qual deve ser a participação da igreja de Cristo na política? Qual a função dela em um processo eleitoral?
Estas são perguntas que muitos líderes evangélicos não se sentem a vontade em responder. Alguns por uma suposta ética eclesiástica, a qual os faz acreditar que política não é um assunto para ser tratado nas reuniões de suas igrejas e outros porque participam ou já participaram de um ato politiqueiro, no qual se envolveram com algum candidato para obter um beneficio próprio.
Enquanto uns se calam por associar política com pecado, outros vendem o altar do Senhor em troca de favores. Dois extremos que só se coincide em uma coisa: ambos estão errados.
Devido à falta de conhecimento e imaturidade muitos chegam a declarar que política é “coisa do diabo”, se esquecendo que é através dela que os governos de cidades e nações são estabelecidos. E ainda há aqueles que dizem não se preocupar com os governantes, pois estão debaixo de do governo de Deus. Então pergunto: Se isso é verdade, será que eles já perguntaram para Deus em quem devem votar na próxima eleição? Que o Senhor possa ser o governador até na decisão do seu voto. Por que não?
Por diversas vezes já ouvi líderes e pastores utilizarem o púlpito para falar de futebol, novela, moda e até contar piadas. Mas falar sobre o futuro governo de suas cidades e nações parece ser uma irreverência intolerável.
O grande equívoco é confundir política com politicagem, que é uma forma de fazer política visando interesses próprios, por meios corruptos e sórdidos.
A política é uma ciência social que trata do governo de um povo e da organização de Estados. A palavra tem origem grega, sendo uma derivação de “polis”, que significa cidade.
Opa!!! Issoé algo que desperta a atenção de Deus.
Deus tem profundo interesse nas cidades, afinal é nela que se desenvolve toda a história do bem mais precioso de toda a Criação de Deus – o homem. Nas cidades que conhecemos os valores de um povo, através de sua cultura, lazer, trabalho, religião, tragédias, idolatria, conflitos e, inclusive, da política.
A Bíblia nos apresenta diversas passagens do interesse de Deus pelas cidades. Um exemplo clássico está no livro de Jonas, onde Deus diz: “Vai à grande cidade de Ninive, e clama contra ela…”. Perceba que Deus está sendo específico, apontando para a cidade. Também em Lucas 10, o Senhor Jesus envia seus discípulos para que levassem Sua Palavra às cidades, dando uma recomendação de como deveriam se comportar quando a mensagem fosse aceita ou rejeitada.
As cidades são moldadas pelas decisões de seus habitantes, que obviamente refletem no aspecto espiritual das mesmas. Ou seja, os reflexos podem ser positivos ou negativos, dependendo das escolhas daqueles que nela habitam.
Agora voltemos à pergunta inicial: Qual é a função da igreja de Cristo na escolha daqueles que governaram as suas cidades?
A igreja de Cristo foi constituída para estabelecer o Reino de Deus, sendo que um dos seus principais objetivos é o aperfeiçoamento dos santos. Ela tem por obrigação formar cristãos maduros, informados e pensantes, que se posicionem em diante da sociedade com convicções e certezas nascida no coração de Deus.
Precisamos de cristãos que saibam analisar as informações e que atuem de forma inteligente, não sendo alienados e influenciáveis pela conversa mole e pelo sorriso cheio de dentes dos diversos candidatos que no domingo aceitam a Jesus e na segunda tomam banho de pipoca, ou, até mesmo, pelos diversos “homens de Deus” que manipulam seus rebanhos para que votem no candidato que deu cadeiras novas para sua igreja (para não citar outras coisas).
NÃO ESTOU DIZENDO que o púlpito deve ser um palanque eleitoral, mas deve ser um lugar de orientação sem manipulação e da revelação das direções de Deus através dos seus profetas.
O Eterno nos colocou como suas testemunhas e vigias nas cidades. Sendo assim, temos que atuar nelas de forma ativa, influente e inteligente. E por isso, aconselho aos líderes evangélicos a buscarem de Deus em como formar cidadãos do Reino que exerçam com propriedade seu direto e dever como cidadão brasileiro – voto inteligente e consciente.